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Modernização, aprendizagem e sustentabilidade marcam desafios e oportunidades para trabalho decente na indústria

25/5/2024 - O setor industrial emprega hoje, no Brasil, 10,3 milhões de pessoas, representando 21,2% de participação nos empregos formais. Os números da Confederação Nacional da Indústria (CNI) revelam a importância do setor para a economia brasileira e seu papel central na geração de postos de trabalho. Em meio a capacidade de inovação tecnológica, persidade produtiva e potencial de crescimento sustentável, a indústria também enfrenta desafios. A necessidade de modernização das infraestruturas, qualificação da mão de obra e adaptação às demandas do mercado global impõem reflexões e ações sobre como fomentar o desenvolvimento do país aliado aos direitos e às garantias trabalhistas. Impacto da automação no mercado A tendência de automação da indústria, que por um lado traz inovação e acelera um determinado modelo de desenvolvimento, deve ser analisada com mediações que considerem a potencial redução dos postos de trabalho que envolvem processos manuais, em especial os mal remunerados e ocupados por pessoas com baixa escolaridade. De acordo com Rafael Lucchesi, diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI e diretor-superintendente do Serviço Nacional da Indústria, com a automatização, a tendência é que as empresas demandem profissionais com maior nível de formação e especialização. “Esse é um desafio para o país, que ainda patina na qualidade da aprendizagem e no nível de escolaridade da população”, observa. Para o presidente do Tribunal Superior do Trabalho, ministro Lelio Bentes Corrêa, a resposta efetiva e célere a esse desafio deve partir de um compromisso político entre governos, empresas e sindicatos, por meio da educação corporativa e de políticas públicas de educação de qualidade, além de treinamento profissional. “Somente a partir da qualificação de trabalhadores e trabalhadoras, aliada à ampliação da proteção social, o processo de automação da indústria poderá ser socialmente sustentável, e não disruptivo”, avalia. Absorção e formação da força de trabalho jovem Segundo os indicadores mais recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), referentes ao 1º trimestre de 2024, jovens de 18 a 24 anos de idade eram 29,5% das pessoas desocupadas no país. Quando se discutem os impactos da automação de processos e atividades na indústria, Lucchesi destaca que as maiores perdas de postos de trabalho se concentram entre pessoas que abandonaram o ensino médio e estão em ocupações operacionais. Segundo o diretor, a tendência é que as empresas demandem profissionais com maior nível de formação e especialização.  Ele defende o avanço nas políticas de ensino médio que deem oportunidades para os jovens optarem por caminhos de profissionalização. “A aprendizagem é um modelo reconhecido mundialmente, e existe no Brasil há mais de 80 anos, mas ainda não foi reconhecido e incorporado como uma estratégia de educação nacional”, avalia. “Em 2023, o Senai realizou 223.665 matrículas em programas de aprendizagem profissional, a maioria de jovens entre 16 e 24 anos. Praticamente três a cada quatro aprendizes estão empregados, o que demonstra a importância da força de trabalho jovem no mercado de trabalho. Essa é uma pauta prioritária para o setor”. Diversidade, inclusão e segurança Outro ponto primordial para o desenvolvimento sustentável é garantir uma indústria inclusiva, comprometida com princípios de equidade, participação ativa de minorias sociais em áreas como ciência e tecnologia, além de qualificação e segurança. Lucchesi ressalta que ações de promoção de saúde e segurança no trabalho criam ambientes e condições adequadas para trabalhadores e trabalhadores, o que contribui para o aumento da produtividade.  “Os constantes investimentos da indústria em medidas para essas questões reduzem, ao longo dos anos, o número de acidentes e as doenças ocupacionais. É aí que entra o Sesi, auxiliando empresas a identificarem as ameaças, a implementarem uma gestão de segurança e saúde do trabalho e a atenderem às normas reguladoras”, sinaliza Lucchesi. Práticas de ESG A necessidade da adoção de práticas ESG (que traduz critérios e ações ambientais, sociais e de governança) nas gestões e avaliações de desempenho e impacto das empresas tem se tornado cada dia mais evidente. Práticas de integração desses princípios visam, para além do retorno financeiro, a criação de valor sustentável a longo prazo não apenas para as organizações e seus investidores, mas também para funcionários, comunidade externa e meio ambiente. Ao incorporar práticas ESG a suas gestões, empresas passam a considerar, por exemplo, redução da pegada de carbono, práticas de trabalho decentes e seguras, transparência e prestação de contas, além de persidade e inclusão. Uma pesquisa realizada pela CNI, em 2023, com empresários brasileiros revelou que nove em cada 10 empresas industriais (89%) adotam medidas para reduzir a produção de resíduos sólidos, 86% têm ações para otimizar o consumo de energia e 83% implementam ações para otimizar o uso de água. “O Mapa Estratégico da Indústria 2023-2032 destaca, dentro do tema, metas relacionadas a bioeconomia, descarbonização, eficiência energética, energias de fontes renováveis e economia circular - que, por exemplo, demanda o aumento da taxa de recuperação de resíduos para 12,8%”, adianta Lucchesi. (Silvia Carneiro/CF)
25/05/2024 (00:00)
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